Friday, May 30, 2008

A vida (por vezes)...


Por vezes a vida tem destas coisas...Quando pensamos que o extenso vale que atravessamos já foi o suficiente em termos de distâncias ou desafios, eis que surgem novos obstáculos e novas barreiras...

Hoje, e devido a algumas circunstâncias que, entretanto, surgiram, apenas me apetece dizer que realmente há coisas que não se compreendem...

Lá calha, como diriam alguns...É a vida, como dizem tantos outros...Talvez...talvez assim seja...

Ao fim e ao cabo, é por isso que digo que por cada vale atravessado, duas montanhas surgem no horizonte...

Wednesday, May 28, 2008

Música...


“Eu não sei quem te perdeu” (P. Abrunhosa)

Quando veio, mostrou-me as mãos vazias
As mãos como os meus dias
Tão leves e banais

E pediu-me que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo
Não partas nunca mais

E dançou, rodou no chão molhado
Num beijo apertado
De barco contra o cais

E uma asa voa
A cada beijo teu
Nesta noite sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu

Abraçou-me como se abraça o tempo
A vida num momento
Em gestos nunca iguais

E parou, cantou contra o meu peito
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais

E partiu sem me dizer o nome
Levando-me o perfume
De tantas noites mais

E uma asa voa
A cada beijo teu
Nesta noite sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu (2x)

(Fim)

A escolha desta música explica-se de forma muito simples…

Primeiro, gosto dela…

Depois, e analisando a letra, creio que é fácil identificar situações ao longo da minha vida como as que são descritas nestes versos…

Por último, e entre muitas outras coisas, gosto da melodia. Apesar de ser um leigo neste campo, sei que a melodia é simples, emotiva e apelativa. E a mim toca-me…

Deixo-vos o link de um dos vários vídeos existentes no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=T1Q6WPhsSug

Tuesday, May 27, 2008

I'll always be here for you...


Há dias assim…

Dias em que as coisas teimam em não correr bem, em que tudo parece estar destinado a ser uma espécie de desastre e em que por mais que se faça nada acontece de modo a colocar-nos um sorriso na face…

Não escrevo isto por mim ou para mim. Não…apesar de saber que não tenho estado nos meus melhores dias ultimamente, graças a uma panóplia de acontecimentos que teimam em se suceder e em me reter preso a mim mesmo e a um mundo em que os obstáculos parecem donos do milagre da multiplicação...Mas não é sobre mim que escrevo…

Escrevo para quem hoje se sente triste, irritado, deprimido, stressado, depressivo, mal disposto e mau humorado. Escrevo para quem, por uma razão ou por outra, hoje se sente vilipendiado e desconsiderado pelo mundo e por aqueles que nele habitam…

Não sei porque vos encontrais assim. Não sei que razões vos leveis a derramar lágrimas nem que motivos vos arrasteis para um estado de espírito tão contraditório com vossa aura, com vossa essência. Não sei e isso revolta-me…

Revolta-me saber que há coisas capazes de suscitar um estado de espírito menos condizente com a vossa natureza, com a vossa índole. Revolta-me saber que há dias em que o mundo parece virar costas àquilo que de mais belo tem: o vosso sorriso…

De facto, não sei porque estais assim. Quem me dera saber para, no mínimo, tentar ajudar. Mas, e porque a minha inércia seria o mesmo que compactuar com esta situação e aceitá-la sem qualquer tipo de problemas, eis que aqui declaro que tudo farei, dentro do que estiver ao meu alcance, para que o amanhã já não seja assim…

Pedirei a Deus que vos ilumine, aos anjos que vos guarde e aos Espíritos de Luz que vos apazigúe a alma, a mente e o coração. Pedirei que vos tragam a paz, a calma e a serenidade necessárias para que possais dormir calma e tranquilamente, para que possais sonhar serenamente e para que possais acordar com o raio de Sol mais resplandecente e um vosso sorriso condizente…

Pedirei para que assim seja, pois só assim este mundo poderá fazer sentido, pois só assim poderei me encontrar em paz. E porque a Fé que tenho em vós é grande e em Deus ainda maior, deixe-me que vos diga algo: não tenho a menor dúvida de que sedes capaz…

De suportar esta desventura, de ultrapassar as palavras que vos deixeis triste e as atitudes que vos magoais…

Porque mesmo estando longe, não quero sequer imaginar que ainda haja lugar para mais um de vossos ais…

I’ll always be here for you…

Um dia...


“Tal como um dia precisaste dos meus braços para te sentires segura e protegida…

Tal como um dia precisaste do meu peito para poderes desabafar as tuas mágoas, contar os teus sonhos e pintar o teu futuro…

Tal como um dia precisaste de um beijo terno e outro mais quente e foi nos meus lábios que o encontraste…

Tal como um dia precisaste de te sentir viva e amada, compreendida e desejada, e foi em mim que tudo isso encontraste…

Hoje sou eu quem precisa de ti…

Sou eu quem precisa do teu colo, do teu regaço, da magia de um teu abraço…

Sou eu quem precisa da ternura de um teu beijo, da doçura de um teu olhar; hoje sou eu quem precisa de sentir que ainda é possível amar…

Sou eu quem precisa da tua pele junto a minha, tal como costumava acontecer tantas vezes à noitinha…

Sou eu quem precisa de ti a meu lado, para que este meu caminho possa ser, acima de tudo, partilhado…

Sou eu quem precisa de te ver e de te admirar como tantas outras vezes em que te fiz corar…

Sou eu quem precisa de te ter por perto, para poder combater este meu imenso deserto…

Sou eu quem precisa de saber que ainda estás aí, tal como eu que nunca daqui saí…

E tal como um dia a felicidade pareceu estupidamente feliz e a loucura loucamente magnífica, eis que busco esses momentos em ti…

E se a minha insanidade for tal que já nem em mim mesmo a consigo reconhecer, gostaria de deixar algo bem claro:

Esta é mesmo a minha vontade, este é mesmo o meu querer…”

Nota do Autor: Será pecado desejar algo assim?

Monday, May 26, 2008

Fim-de-semana - parte II - conclusão...


Acordei passadas umas horas pensando que já estaria refeito de tudo o que sentira e pensara na noite anterior. Pura ilusão…

A juntar à noite fria e vazia, tinha agora também uma casa vazia. É verdade que é um apartamento, mas mesmo assim…Foram horas e horas e mais horas sem ver ninguém, sem contactar com ninguém. Horas e horas em que apenas as músicas e o barulho do aspirador serviram de companhia…

A muito custo, e depois de um dia inteiro sem apetite, acabei por ir fazer o jantar. Uma vez mais, o cenário de uma refeição a sós criou em mim uma espécie de sentimento de revolta. Não contra alguém em especial, nem contra o mundo ou contra Deus, mas sim contra mim mesmo…

Enquanto pensava nas minhas culpas, decidi também que iria dar um passeio a seguir ao jantar. Precisava de sair de casa, de respirar outro ar que não aquele que habitava a minha casa. Precisava de ver que havia mais pessoas no mundo, que havia mais gente algures por Coimbra…E assim o fiz…

Sabia de antemão que caminho iria percorrer, que percurso iria fazer. Sabia-o dentro de mim…

A cada passo, notava novamente que estava triste. Triste por estar a fazer aquele trajecto sozinho, por não ter ali comigo a alma que me entende, que me alegra, que me ilumina e que me faz sentir bem. Triste por saber que talvez essa alma gostasse de visitar pelo menos um dos locais que eu iria visitar…

Chegado à minha primeira paragem, senti um leve arrepio na espinha. Há muito que ali não ia. Há muito que deixara de visitar aquele local tão belo. A culpa não era dele, era minha. Uma vez mais, a culpa era minha…

Para grande espanto meu, estava completamente sozinho. Não havia mais ninguém ali. Apenas eu, o ar, a água que escorria de algumas fontes, o vento, Deus e…o meu pensamento. Pensava em tanta coisa ao mesmo tempo que, sem me dar conta, comecei a me embrenhar por aquelas escadas e por aqueles mini-labirintos…

Foi o revisitar de memórias que tenho mantido guardadas, de memórias que me têm acompanhado e que me fazem companhia. Por momentos sorri, deixei-me entusiasmar. Já lá não ia há tanto tempo que tudo me parecia novo, tudo parecia ter uma parte desconhecida, um pedacinho por descobrir…

Mas o sorriso, que me fez lembrar tudo o que sempre me fez sorrir e tudo o que ainda me faz sorrir, acabou por dar lugar à emoção. Senti-me triste por não poder estar a partilhar aquela visão, aquela paisagem, aquele ar, toda aquela beleza. Senti-me triste por estar perante um cenário idílico (ou quase) e ver que ali estava apenas eu. Eu e mais ninguém…

Gostava que estivesse ali mais alguém comigo. Gostava de poder estar ali, abraçado a alguém, a contemplar a Lua que entretanto já se fazia notar no céu, a sentir aquela brisa fresca e revigorante. Gostava de poder estar ali a contar histórias, a cantar alguma música em comum, a rir ou simplesmente a não fazer nada, apenas e só olhar para essa pessoa…

Na terra que um dia testemunhou tantas e tantas histórias, acabei por deixar um testemunho. Despedi-me de lá, deixando a minha marca, sentindo um misto de alegria e nostalgia, de tristeza e de saudade. Deixei ali mais um pedacinho de mim, talvez na esperança de que aquele local nunca deixe de ser o que é…

Rumei a outras paragens, sempre só…Aliás, sempre acompanhado de tantos e tantos pensamentos, de tantas e tantas sensações. Segui por onde me levavam as minhas pernas, por onde me levava o vento e as luzes que iluminavam o caminho. Segui completamente absorto desta realidade, mas plenamente consciente de que estava sozinho…

Desci rumo ao Mondego, esse grande e velho amigo, esse confidente sempre pronto a me receber de braços e margens abertas. Fui ter com ele, revê-lo e depositar nele algumas das minhas mágoas, das minhas ânsias, dos meus mais profundos segredos. E ele recebeu tudo, como sempre, sem responder. Estava apenas ali para me ouvir…

Uma vez mais senti a falta de alguém que me ouvisse, que estivesse ali, junto a mim, a sentir aquela mesma brisa sobre o rio dos estudantes, a ouvir os mesmos grasnares de pássaros que eu ouvia uma e outra vez. Mas ali só estava eu…ali eu estava só…

Arranquei rumo a mais uns quantos sítios…sempre com muito na cabeça, sempre a pensar no porquê de as coisas estarem no pé em que estão, no porquê de eu ser cada vez mais vítima desta solidão…

E uma vez mais, a resposta foi-me familiar: a culpa era minha…

Daí a alguns minutos, largos e bons minutos, concluí a minha caminhada. Estava de regresso a casa, ao meu quarto, ao meu mundo. E à minha espera lá estava ela – a solidão. Fria e imóvel, eis que ela ali me esperava. Alegrou-se por me ver. Talvez também ela se sentisse sozinha…

O resto do tempo foi passado a rever os passos da caminhada que é, e tem sido, a minha vida até aqui. Revi tudo até que o sono se fizesse sentir. E prestes a adormecer, o último pensamento que me ocorreu foi apenas este:

“A falta que tu me fazes…”

E assim terminou o fim-de-semana…

Fim-de-semana - parte I...


Ontem estava triste. Após a conclusão de mais uma etapa no meu já longo percurso académico, e de umas horas bem passadas na companhia de alguns amigos, eis que a noite de sábado trouxe até mim o frio, o vazio e o silêncio de mais uma noite a sós, sem companhia…

Custou-me a adormecer. A cada segundo via e revia tudo, vivia e revivia tudo de novo, como se ainda estivesse a acontecer. E a cada viagem ao passado, mais só me sentia, mais triste ficava, mais lágrimas enchiam os meus olhos…

Adormeci pensando…na falta que sinto de, nas saudades que sinto, naquilo que sinto. Adormeci pensando como seria bom poder estar ali, naquele preciso instante, a falar do dia passado, da noite, dos amigos, das cantorias e das brincadeiras; como seria bom estar ali a partilhar o que senti naqueles momentos, o que senti durante todo o dia...

Mas não havia como o fazer. Resignei-me e rezei a Deus para que me levasse para o mundo onírico o mais rápido possível. Ele demorou, mas acabou por me levar para algures, onde eu não pudesse sentir o aperto que sentia, onde não pudesse chorar as lágrimas que insistiam em querer sair de mim…

Sunday, May 25, 2008

No matter what...


Sometimes in life, even if it’s against all odds, people must make a statement. Not to prove something just because, but specially to guarantee that some things are really worthy and special…

That’s why, in my opinion, sometimes people tend to be afraid and refrain their feelings and thoughts, that’s why is so difficult to let the world know that we think this, we feel that and so on and so on…

I’m here tonight to dedicate these words to a friend. Perhaps I didn’t even have to do this, but I want to. I want to because, as I referred previously, sometimes in life we find things that are really worthy, things that deserve the most significant respect and commitment…

Therefore, I would like to make my statement, here, in these lines…

Most people are used to change their wills and their thoughts just because someone said this or wrote that or whatever. I can’t be like that…I refuse to be like that… That’s not who I am, that’s not my way of acting and being part of the world…

No matter what they say, no matter what they write, no matter what they invent, no matter what…I’ll always be who I want to be. I’ll always feel what my heart, mind and soul tells me to feel. I’ll always cry for those I want to cry for. I’ll always pray for those I want to pray for. I’ll always fight for those I want to fight for. I’ll always die for those I want to die for. I’ll always be with who I want to be with, here, now and then. And I’ll always love who I want to love, no matter what…

‘Cause I know me. I know who I am, what I feel, what I think. I may not know I what I really want, but that’s only my problem and nobody else’s…

No matter what people say, I’ll always be following my own tracks, diving my own oceans and landing in irregular surfaces because that’s all I can do, that’s all I know…

And sometimes, it’s the unspoken words that really matters, it’s the unspoken feelings, thoughts and happenings that really matters…

And right there, right between silence and everything we know that’s true, lays down the magic, the wonder and the joy of rare things, such as we know…

I can honestly tell you, my dear friend, that nothing can change what I feel or what I think. And I’m happy about that, you know?

Don’t know why? That’s easy…It means that some things are really worthy…Such as yourself…

Thanks for everything…

* No matter what, I’ll always find in you a certain kind of sunshine…

Tuesday, May 20, 2008

Storm...

video

Creio que já todos ouvimos dizer algo do género “O amor é uma montanha russa de sentimentos”, “O amor é um carrossel de sensações”, etc e tal…Mas a analogia que mais me encanta é esta – “O amor é como uma tempestade”…

Sim, uma tempestade. Daquelas que varrem, que abanam, que abalam, que molham e que deixam tudo virado do avesso. O amor é tudo isto e muito mais, no bom e no mau sentido…

Quem sente a força do amor sente o mesmo impacto de um Tsunami. É impossível ficar indiferente às transformações ocorridas aquando da passagem dessa tempestade a que chamamos de amor. Mesmo que seja passageira…

E o mais incrível é que, mesmo no meio de uma tempestade tão poderosa, tão incrivelmente incontrolável, há sempre algo que nos serena, que nos acalma e nos apazigua o coração e a alma…

Falo dos olhos de quem amamos e de quem nos ama. Não há nada mais pacífico, sereno e seguro (*) do que poder olhar profundamente nos olhos de quem nos desperta tais sensações e mergulhar sem medos, sem receios e sem temores, pois os olhos são baías e corais repletos de belezas de todas as cores…

Hoje, ao visitar o blog de um amigo meu, “dei” com esta música dos Lifehouse, “Storm”. Deixo-vos a letra já de seguida e espero que saibam interpretar a mensagem contida na mesma…

“STORM (Lifehouse)”

How long have I been in this storm?
So overwhelmed by the ocean's shapeless form
Water's getting harder to tread
With these waves crashing over my head
If I could just see you
Everything would be all right
If I’d see you
This darkness would turn to light
And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And everything will be all right
And everything will be all right
I know you didn't bring me out here to drown
So why am I ten feet under and upside down?
Barely surviving has become my purpose
Because I'm so used to living underneath the surface
If I could just see you
Everything would be all right
If I’d see you
This darkness would turn to light
And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And everything will be all right
And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And everything will be all right Oh everything is all right
Everything is all right…
(THE END)

No fundo, todos queremos isto mesmo, não é? Alguém que nos agarre ao cairmos e que nos faça sentir perdidos no meio de um olhar, sabendo que, afinal, tudo ficará bem… Não tenham medo da tempestade. Tal como tantas outras coisas na vida, esta tempestade é apenas e só uma dádiva de Deus…

(*) Apenas para afirmar que sei de algo que é mais seguro e sereno do que o tal olhar – um certo e determinado tipo de abraço. Não espero que percebam, mas posso garantir que é mesmo assim…

PS - O vídeo é da minha autoria...

Sunday, May 18, 2008

Sonha comigo...


Perfeito!! Depois do sonho que tive ontem, creio que estas palavras não poderiam ser mais perfeitas...

Saturday, May 17, 2008

Sonhei contigo...


“Estávamos algures reunidos. O grupo estava todo ali – amigos, conhecidos e colegas. Não sei bem a razão que nos juntava desta vez, mas sei que estávamos ali para o mesmo: conviver…

E lá também estavas tu. Não sei se é de estranhar ou não, nem sei se era suposto estares. Também não sei dizer se fiquei surpreendido por te ver ali, no meio da malta. Às tantas também eras uma de nós…

Pensando bem, talvez até fosses. Pensando bem, a maneira como rapidamente começámos a falar e a interagir leva-me a crer que já devíamos ser amigos há algum tempo. As nossas conversas fluíam, tínhamos sempre assunto e a simpatia e cumplicidade com que nos tratávamos leva-me, agora, a crer isso…

E no meio de tantas risadas, de tantos sorrisos, de tantos olhares, de tantos suaves e ligeiros toques no braço, na mão ou na pele, eis que por um momento ficámos sem assunto. Nada de grave…estávamos a beijar-nos…

Não sei de onde veio o beijo. Quer dizer, não sei de quem partiu a iniciativa. Fiquei baralhado, atónito…afinal, estava surpreendido comigo mesmo. Olhaste-me de uma forma tão meiga e inocente que nem me atrevi a dizer nada. Apenas sorri e segui-te…

Afastámo-nos um pouco do resto da malta. Não muito, mas o suficiente para evitar curiosos. Mais beijos, mais olhares, mais carinhos, e de repente o mundo ganhara uma nova cor, uma nova dimensão. A cada beijo, todo eu tremia. Não, não era de frio nem de medo. Era um tremor bom, de regozijo, de satisfação. Parecia que os nossos lábios haviam sido feitos um para o outro. Parecia que as nossas línguas sabiam exactamente o que procurar nas nossas bocas. Cada canto e recanto das nossas bocas era percorrido com uma suavidade tal que até arrepiava. Suave ou mais sôfrego/apaixonado, os beijos eram divinais. Até nos fazia suspirar. Antes de voltarmos para junto do pessoal, olhaste para mim com a mesma timidez e inocência de há minutos atrás e abraçámo-nos…foi o abraço mais sentido que alguma vez sentira na vida…

De volta ao grupo, sentámo-nos juntos, lado a lado. Eu nem sabia se havia de esquecer o resto do mundo, olhar só para ti e contemplar a tua beleza, ou se havia de tentar disfarçar a alegria imensa e incontrolável que se fazia sentir no meu coração, na minha alma, no meu ser…

E como que adivinhando os meus pensamentos, agarraste-me na mão. Puseste-a sobre a tua, e ambas sobre a tua perna. Olhaste para mim e não disseste nada. Não era preciso…acho que percebi…

Ficámos assim até irmos embora…

Mas, e no meio das habituais despedidas, perdi-me de ti. Procurei por ti e não te encontrei. Perguntei por ti e ninguém me soube responder. Fiquei desolado…Acordei…”


Este foi o sonho que me fez interromper o sono. Hoje adormeci pouco antes das 2h e estava embalado no sono até que acordei. Ao tentar virar-me na cama senti algo de estranho. Era como se estivesse acompanhado, era como se alguém estivesse ali, deitado junto a mim. Virei-me e não vi ninguém. Era impossível estar ali alguém. Há vários meses que durmo sozinho…

Mas, e no meio do escuro que reinava neste quarto, posso jurar que era como se estivesse ali alguém a meia dúzia de centímetros de mim. Sei que pode parecer estranho, mas foi o que senti. Não fiquei assustado nem tive grande reacção. Ensonado, é certo, mas a tentar raciocinar de alguma forma, procurei tentar perceber o que se passava…

Posso garantir que não sei bem o que aconteceu. Mas posso afirmar que quem estava ali, mesmo não estando ninguém, eras tu. Tu, que estiveste no meu sonho; tu, que conviveste comigo alegremente; tu, que tantas vezes me encantaste com o teu olhar doce e o teu sorriso magnífico; tu, que, com os teus beijos, me levaste ao êxtase e ao nirvana em termos de sensações; tu, que com esse teu perfume inconfundível, fizeste-me acreditar que a Primavera estava presente; tu que, com esses teus abraços, fizeste-me sentir a pessoa mais segura deste mundo…

Não sei como nem porquê, mas sei que eras tu. Estavas ali, deitada a meu lado. Talvez a contemplar-me…talvez a querer dizer-me algo…Mas eu não te via, apenas te sentia. Quis falar contigo, tentei falar contigo, mas não obtive resposta. Também não sabia muito bem como proceder, o que fazer…estava a ser tudo demasiado rápido, intenso e estranho…

Acabei por, aos poucos, notar que me deixavas. A ânsia de tentar saber quem tu és, fez-me desesperar. Não me lembrava do teu nome…incrivelmente, não me conseguia recordar do teu rosto…Como é que é possível? Logo eu que tenho tão boa memória…Foste…

Ainda estive uns bons minutos na cama, a olhar para o tecto, a tentar absorver o que me tinha acontecido. Terá sido sonho? Ilusão? Delírio?

Eu sei que sonhei, sonhei com o que descrevi acima. Iludido não creio ter estado. Foi tudo demasiado real, demasiado presente. O teu perfume, a sensação de presença de alguém a poucos centímetros de mim…isso aconteceu…E também não creio ter delirado. Se delirei…bem, se delirei então foi de amor…

Tive que me levantar para escrever isto. Acho que me ocorreu o facto de ao escrever isto, tu poderes tornar a aparecer, poderes tornar a fazer notar a tua presença. Mas tal não aconteceu…

Neste momento, neste preciso instante, tenho os olhos marejados de lágrimas. Gotas de água abundam, jorram e escorrem pela minha face abaixo. Estou triste por não me lembrar de tudo, aliás, do mais importante: de quem és ou eras…


Acredita: dava uns bons anos de vida para poder decifrar este enigma. Tudo porque o que senti contigo foi bom, muito bom. Fez-me sentir vivo, fez-me sentir que ainda sinto, que ainda desejo, que ainda não morri…

Mas não me lembro…

Ainda sinto o teu perfume a pairar no ar. Ainda sinto o doce sabor dos teus lábios nos meus. Ainda sinto a tua pele a roçar na minha, as tuas mãos a percorrem o meu pescoço, os meus cabelos, os meus braços. Ainda sinto o coração a bater…

Não sei como explicar nada disto. Apenas sei que vivi tanta coisa de há umas horas para cá, que até o sono que me embalava se foi. Talvez tenha ido contigo…

Gostaria de saber quem és. Por isso, e se puderes e não te importares, volta. Não quero que voltes por estar com segundas intenções. Quero apenas que voltes para saber quem és, de modo a que te possa procurar nesta vida ou esperar por ti numa outra, se for caso disso. Quero saber se já sei quem és ou se nunca saberei quem és. Preciso…

E até lá, esperando que tal momento chegue, quero te agradecer. Obrigado por me teres acompanhado nas primeiras duas horas de sono em condições que tive ao longo dos últimos quinze dias. Obrigado pelo bem que me fizeste sentir ao longo dessas mesmas duas horas. Obrigado por teres ressuscitado em mim sensações há muito adormecidas. Obrigado…

Sei que não voltarei a dormir tão cedo. Vou esperar que o sono chegue. E rezar para que te traga contigo…

Beijo…

Friday, May 16, 2008

Sábio Ditado...


Li algures num livro que, em Espanha, existe um ditado que diz que “a hora mais escura é precisamente aquela que antecede o nascer do Sol”…

A todas pessoas que possam vir a ter uma sexta-feira menos pacífica do que o desejado ou um pouco mais atribulada do que o pretendido, deixo-vos esta frase, estes dizeres…

A vós, dedico-vos estas sábias palavras. São palavras de esperança, de renovação e de encorajamento. Por mais fortes que possam ser as forças/coisas menos boas desta vida, às vezes temos que acreditar na superação, na Fé e na sabedoria divina…

Quero que saibam que estarei com cada um de vós, se assim o desejarem…

Que Deus vos abençoe, hoje e sempre…

Nota do Autor: * I’ll always be here/there for/with you*

Wednesday, May 14, 2008

Dá que pensar...


As noites sem dormir, apesar de não serem boas para o descanso físico e psicológico do ser humano, acabam, por vezes, por nos levar a pensar em coisas que parecem banais, comuns, mas que acabam por não o ser…

Esta noite, a terceira consecutiva sem dormir (acho que se houvesse um prémio para “Zombie 2008” eu seria o vencedor, sem problemas…), dei por mim a pensar numas frases que tenho ouvido por diversas vezes nos últimos tempos. As frases referem-se àquilo que, na minha opinião, move o Universo. Falo, claro está, do Amor…

Nos últimos tempos tenho reparado na quantidade de vezes que o ser humano diz “Quem me dera esquecê-la(o)”, “Quem me dera que Deus fizesse com que deixasse de o(a) amar”, “Quem me dera deixar de sentir isto que sinto por ele(a)”, etc e tal…

Ora, nada de mais, portanto…Pelo menos à primeira vista. É um facto que também eu já dei por mim a pedir isso, a desejar isso, a conversar com Deus e com os Espíritos de Luz sobre isso. Já…e muitas vezes…Mas deixei de o fazer…

Porquê?

Simples: como posso querer deixar de sentir algo que me faz sentir vivo? Como posso querer deixar de sentir algo que me faz sonhar, que me faz sentir especial? Como posso não querer sentir esta força que impele qualquer um e o leva a ser mais do que aquilo que realmente é?

O quê? Também ilude? Também magoa? E depois? Qual é o mal? Eu sei que ninguém gosta de sofrer. Acreditem que sei. Se repararem em alguns textos meus, estão perante um ser que sofre por muita coisa e que já sofreu por muita coisa, inclusive por Amor…

Mas será que alguém quer mesmo deixar de amar? Será que é certo pedirmos a Deus para nos retirar algo que é, no fundo, a nossa maior dádiva, logo a seguir à Vida? Será que temos esse direito, essa legitimidade de querer deixar de sentir o que sentimos, só porque não conseguimos estar com quem se ama?

Não sei se é certo, se é legítimo, se é o melhor. Não sei mesmo…Já pensei muito sobre isto e sei que às vezes acabo, eu próprio, por recuar em relação aos meus pensamentos e desejar deixar de sentir isto que sinto. Que é…o que é =) Eu sei bem o que é…talvez haja mais alguém que o saiba também…e se não souber, espero um dia fazer com que saiba e se aperceba do que realmente sinto…

Mas digam, por favor, se quando pedem para deixar de sentir, se é realmente esse o vosso desejo? Eu começo, em relação a mim, a entender que não. Mas e o resto? O que dizem?

Não é tão bom sentir aquele palpitar no coração só porque estamos ao lado de quem se ama? Não é tão bom sentir aquele nó na garganta quando a pessoa amada nos olha nos olhos, perscrutando a nossa alma, como se estivesse à procura da resposta que a nossa boca não consegue dar?

Não é maravilhoso sentir aquele arrepio na espinha quando a fragrância de quem se ama se espalha ao nosso redor graças a uma súbita rajada de vento? Não é bom sentir aquele abraço tão especial e tão forte que só sentimos com quem é especial para nós? E trocar palavras só com o olhar, também não é bom?

Ah, se é…Tal como é bom sentir aquela vibração quando agarramos a mão de quem mais nos toca (ou somos agarrados pela mão), tal como é bonita aquela centelha mágica que parece brilhar no sorriso que nos ilumina a alma e nos enche o coração….

Diga-se o que se disser, acho que ninguém gostaria de trocar isso pelo vazio, pela sensação de incapacidade amorosa. Creio ser melhor sentir tudo o que atrás foi descrito do que não sentir absolutamente nada. Mesmo que não estejamos com quem queremos…

E eu sei que custa olhar para alguém e querer dizer, fazer, mostrar ou dar algo mais, algo que possa ajudar a demonstrar o que sentimos por essa pessoa, o quanto essa pessoa vale para nós. Sei que custa estar ao longe a olhar para essa pessoa sem poder tocá-la, sem poder estar ali mesmo ao lado dela…

Mas também sei que só de olhar para quem se gosta, o coração suspira…e respira…e dá sinais de vida, dá sinais de que está vivo, que bate, que acelera e que torna a acelerar. Não há nada mais belo do que isso, acreditem...Olhar para quem se ama e alegrar-se só da contemplação…

É, meus amigos e minhas amigas…não é fácil amar e não ter quem se ama ao nosso lado. Não é fácil sonhar de dia e de noite com o amor que não temos, mas que sentimos. Não é fácil, não…Nem sei se deve ou deveria ser…

Sei apenas que, por mais que me custe, prefiro sentir o que sinto, a nada disto poder conhecer…

Obrigado…

Nota do Autor: não quero com isto dizer que estou certo…Apenas gostava que pensassem se vale a pena desperdiçar um sentimento tão belo e tão nobre “só” porque não se está com a pessoa que se ama ou se gosta ou se adora...Lembrem-se: enquanto amamos, estamos vivos...Sei o risco que corro ao escrever tudo isto que escrevi, mas tinha que o fazer...

Monday, May 12, 2008

(Talvez) A minha forma de amar...


“ (…) O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela quem nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado do que os que vivem felizes. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura uma vida inteira, o amor mais que isso. Só um minuto de amor pode durar uma vida inteira. E valê-la também. “

Nota do Autor: Este é um excerto de um texto de Miguel Esteves Cardoso.

Só...


Sinto-me dorido…há algo dentro de mim que me consome terrivelmente e me leva a um estado que não quero conhecer, a um plano que me custa a aceitar o que sinto, o que sou e o que vejo…

Não sei de onde vem isto, ou de onde veio…não sei que aperto é este que sinto neste momento. Sei apenas que é algo que me aperta o coração, que me faz sentir um enorme nó na garganta e que me leva a chorar compulsivamente como se fosse um bebé abandonado à beira de um lago ou de uma estrada deserta…

Deserta também se encontra esta minha noite. Já adormeci, já acordei, já tornei a adormecer e a acordar. Agora encontro-me sem sono, distante, dormente, mas a sentir tudo de uma forma tão real que até dói…

Não quero estar assim…não consigo sentir mais isto…não posso…sinto que a dor é demasiado grande para ser suportada por este ser que tanto tem sofrido…e as lágrimas, essas continuam a jorrar, a brotar de mim como se eu fosse uma nascente…

A cabeça pesa-me, dói-me também…não, não é cansaço “pós-Queima”, antes fosse…os olhos incham cada vez mais…o nó na garganta aperta cada vez mais e o coração quer saltar, quer vir cá para fora. Talvez queira falar comigo, não sei. Ou talvez queira mesmo fugir, procurar paz noutro lado, encontrar estabilidade noutro corpo, noutro ser…

Ser o que sou…acho que é isso que me leva a estar assim, tão solitário, tão dorido, tão choroso. Não percebo de onde vem tudo isto, não compreendo. Olho à minha volta e…nada…nada de nada…

Às tantas é isso…às tantas hoje é uma daquelas noites em que precisava de ter algo aqui comigo. Não queria tudo para contrapor o nada que tenho. Queria apenas a paz de um regaço, o calor de um abraço, a doçura de um olhar, a ternura de um beijo. Queria apenas sentir o doce e leve aroma de um perfume que se faz notar no meio da multidão, sentir a suavidade de uma pele também ela perfumada, adocicada e perfeita…

Queria ter algo a meu lado, algo que me acalmasse esta angústia, que me ajudasse a adormecer profundamente com as palavras certas e me pudesse acordar com o carinho exacto. Queria deixar de me agarrar a esta almofada que serve de companhia ao longo de tantas e tantas noites frias de desassossego, de desespero e de solidão…

Queria que estivesses aqui…queria te ligar, falar contigo, pedir que viesses ao meu encontro e que não me deixasses mais. Queria pedir que me viesses embalar, que me viesses proteger e afastar dos meus próprios medos, dos meus próprios fantasmas. Queria poder acalmar e me alegrar só de poder olhar para ti, sentir-te perto de mim, abraçada a mim…

Mas não posso…não posso fazer isso porque não há como o fazer, não há como o pedir, não há como ter aqui nada disso. Como pedir isso? E a quem? Não há como por fim a esta dor, a este pesadelo, a esta insónia interminável e arrasadora…

Fecho os olhos e imagino que sim, que há uma forma, uma qualquer fórmula mágica, mas o sal das lágrimas invade a minha boca e traz-me de volta à realidade. Estou só, sozinho…sinto-me só e sozinho…

Olho em meu redor e procuro algo…procuro algo que me dê alento e esperança…Peço a Deus que me ouça, que me escute e que não me deixe continuar a percorrer tão tristemente este meu caminho…

PS – A dor ainda se encontra por aqui. Pensei que ao falar dela, as coisas melhorassem, mas pelos vistos não…

Monday, May 05, 2008

Sorry...


As desculpas não se pedem…evitam-se! Quantas e quantas vezes ao longo da vida, não fui eu agraciado com esta frase? Sei lá, tantas…demasiadas… mas mesmo assim parece que nem sempre sei evitar os erros, parece que nem sempre sou capaz de deixar de ser a pessoa mais cruel e o pior ser humano à face da Terra…

E tudo isto porquê? Porque sem ter o hábito de enganar as pessoas, um dia menti. Menti à pessoa que menos o merecia. Menti a alguém que eu sabia que nunca iria me perdoar se o descobrisse. Menti a um ser que não merece que lhe mintam. Mas eu fi-lo…

Fi-lo por ser covarde (no Brasil é assim que se escreve). Fi-lo por estar consumido por um medo idiota e imbecil de perder a oportunidade de algo que tanto ansiava. Fi-lo para preservar um sentimento que existia e que era demasiado bonito para que eu pudesse manchá-lo com a confirmação do que me perguntavam…

Mas acabei por manchar na mesma. Estupidamente, e da forma mais cruel do mundo, a pessoa acabou por descobrir. Não imagino o quanto lhe deve ter custado. Quem me dera poder imaginar. Quem me dera poder sentir a dor, a angústia e o desespero que essa pessoa sentiu ao descobrir que eu lhe mentira. Quem me dera saber o desnorte que dessa pessoa se apoderou. Quem me dera poder recuar no tempo e poder apagar a única mentira que alguma vez lhe disse. Acreditem, foi mesmo a única. Nunca mais lhe menti…

Mas os danos de tal descoberta foram devastadores. Muito mais do que eu poderia imaginar. E desde então tenho vivido no inferno. A partir de uma certa altura eu percebi que tinha sido descoberto. E desde então o inferno e o purgatório têm sido os meus locais de eleição. A minha alma tornou-se moribunda e vagabunda e abandonou-me, levando com ela o meu coração…

Às tantas poderão estar a pensar “Este gajo tem lata…Mente e depois desfaz-se em desculpas”. Têm razão. Isto são apenas palavras, não é? Só que desde então eu tenho feito de tudo para mostrar que aquela mentira foi uma vez sem excepção, que nunca mais tornei a fazer tal coisa e que não pretendo mais voltar a fazê-lo. Seja através de palavras, seja, e principalmente, através de actos, eu tenho tentado de tudo. Não sou mais santo por causa disto, nem mereço um perdão infinito por admitir que menti. Nada disso. Nem tão-pouco estou à espera de o receber depois de publicar este texto. Não…

Apenas quero que saibam que o arrependimento que me consome é demasiado grande para que me possa calar em mim mesmo. Dava a minha vida para poder voltar atrás e dizer a verdade aquando da pergunta que me foi feita. Dava tudo o que tenho e o que não tenho para poder impedir que alguém tivesse sentido o que sentiu e sido ferido como foi. Seria capaz de mover céus e mares, montanhas e vales só para que tu não tivesses sido vítima da minha covardia, da minha estupidez…

Acredita, não sei o quanto te doeu naquele dia, nem nunca o saberei…Mas posso garantir que desde então tenho pago e continuarei a pagar pelo mal que te fiz. É assim que as coisas funcionam. A justiça divina é mesmo justa e eu sou a prova cabal de tal afirmação…

Acredita que se fosse hoje, faria tudo na mesma, à excepção da resposta que te dei naquele dia. Nesse dia deveria ter dito que sim…Mas o medo de te perder fez com que tivesse dito não, a ideia de que poderias ficar com uma má impressão de mim fez-me acovardar ao ponto de fazer a única coisa que não merecias que te fizesse, a única coisa que me tinhas pedido tão ardentemente que nunca quebrasse…

Ma eu quebrei. E com isso quebrei a coisa mais importante que tive nos últimos tempos, dei cabo da melhor coisa que me aconteceu entretanto. Agora restam os meus pedaços espalhados por aí. Restam as peças soltas em que me tornei. Restam as mágoas e as dores de um péssimo dia que te proporcionei…

Se soubesses o quanto me dói a alma. Se soubesses o quanto desejo desaparecer. Tenho vergonha do que fiz. Sempre o tive, mas sempre pensei que com o tempo eu poderia mostrar que não sou o LF da única mentira, mas sim o LF de todas as outras verdades, o LF que procurou estar sempre presente, contra tudo e contra todos…

E volto a dizer, não sou mais digno por isso. É o mínimo que poderia fazer para compensar o mal que te causei. Mas esse mal habita em mim, consome-me, devora-me e atormenta-me dia e noite. Principalmente de noite…

Desculpa-me, ok? Não volta a acontecer, prometo. Se bem que isso de nada vale ou valerá, não é? Há marcas que permanecem para sempre nas nossas almas e há cicatrizes que custam a passar. Eu sei…mas acredita que as que trago em mim, em virtude desse dia, nunca pararam de sangrar, nunca pararam de doer. Nem sei se tal é possível…

Peço desculpas por já não poder evitar estas. Mas posso e irei tentar evitar as outras e espero nunca mais fazer-te passar por nada do género. Nem a ti nem a ninguém…

E sei que ainda temos muito que conversar, concordo contigo…Mas até lá, até que essa conversa tenha lugar e até que eu possa realmente ter noção da besta que fui, do mal que provoquei, quero que fiques com uma certeza:

Como te disse um dia, I’ll always be here for you…

Sorry once again…

PS – A imagem não é das melhores, mas há qualquer coisa naquele olhar…

Friday, May 02, 2008

City of Angels...


Amor. Vida para além da morte. Eternidade. Riscos e escolhas. Aparentemente nada disto parece poder conjugar-se ou ter algum tipo de ligação. Se assim pensam é porque nunca viram “Cidade dos Anjos”…

Mais do que as interpretações de Meg Ryan ou Nicolas Cage ou mais do que a beleza da história contada ao longo do filme, penso que a abordagem feita aos temas supracitados é que acaba por ser o verdadeiro ponto-chave de todo o filme…

É inconcebível para muitos seres humanos (99%, mais ou menos) que haja realmente uma ligação entre todos os tópicos acima referidos e que essa mesma ligação possa dar origem a algo de belo, de único e inexplicável…

Pessoalmente, e após visionar este filme pela vigésima vez (se já não for mais do que isso), o que mais me toca é olhar para Seth (personagem interpretada brilhantemente por Nicolas Cage) e…rever-me…

Não, não sou um anjo, um mensageiro enviado do céu…Quem me dera…Mas há tanta coisa que nunca poderei explicar, mas que sei ser possível, que acabo por me identificar com a trama que o envolve, com o desenrolar dos acontecimentos…

Quem ler isto poderá julgar-me insano…Talvez, não sei, quem sabe…Mas volto a frisar que há mais coisas nesta vida para além do que julgamos saber ou queremos acreditar. E como o próprio filme diz, há coisas que são verdadeiras quer se acredite nelas ou não…

Não espero que compreendam ou que percebam o que quero dizer. Sei que não há essa chance, sei que não é possível. Também sei que não sei como me expressar melhor ou de uma forma mais clara e objectiva. Apenas sei que sei o que me leva a dizer isto e a sentir esta necessidade de falar sobre isto. É como se hoje o filme fizesse ainda mais sentido do que aquando da primeira vez que o vi. Talvez faça, talvez eu esteja mais apto e mais capacitado para entender certos aspectos que até então se encontravam subentendidos perante a minha própria pessoa…

Mas hoje, o filme fez-me rever os filmes da minha vida, fez-me pensar e repensar até que ponto estou certo do meu carácter mais ou menos humano e do meu lado mais ou menos espiritual. E acabei por concluir exactamente o mesmo, ou seja, haverá sempre algo que nunca poderei decifrar completamente nem dar a conhecer. Não por imposição de algo, mas sim por opção própria…

E já que falo de opção, e olhando para o filme que me fez ver outros filmes e imaginar outras personagens (não imaginam o quão fácil é fazer tal coisa e quanto custa, às vezes, aperceber-nos de certas situações…), há algo que posso desvendar…

Tal como Seth, não me arrependo de um dia ter “saltado” lá de cima ou “caído” lá de cima. Tal como ele, “prefiro ter podido sentir uma única vez o cheiro do cabelo dela, um beijo da boca dela ou um toque da mão dela do que passar toda uma eternidade sem isso”…

Demasiado vago e abstracto, ou talvez não, certo é que precisava de aceitar esta verdade e de a assumir. Não perante o mundo, mas sim perante a minha pessoa e o meu ser. “Saltei” porque quis, “caí” porque quis e não me arrependo. E dou graças a Deus desta minha história não ter tido um final dramático, se bem que…bem…só eu e Deus é que realmente sabemos…Mas pelo menos ninguém morreu (literalmente, entenda-se) …

Seja como for, aconselho a verem o filme ou a reverem, consoante o caso. Acho que não darão por mal empregue o vosso tempo…

Para finalizar, deixo a letra da música mais conhecida da banda sonora do filme, “Iris”, dos Goo Goo Dolls. A música também encerra em si vários aspectos que explicam muita coisa. Em mim e de mim…

“IRIS” (http://www.youtube.com/watch?v=SsK90GWBVLY)

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can not fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

(break and solo)

And I don't want the world to see me
Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

THE END

Já agora, um conselho: não se importem nunca de “cair” ou de “saltar”. A eternidade deve ser maravilhosa, mas mais maravilhoso é poder tornar eterno algo que deve ser tido como passageiro e fugaz: a Vida…

“Saltem” e “caiam” à vontade…e deixem-se levar pelo que sentem e por quem sentem, de forma a tornar a fugacidade da Vida na Eternidade que poderá durar até para além da morte…

Sincerily yours, LF.

PS – Maybe one day you’ll understand…

Thursday, May 01, 2008

Um olhar...


Muito mais do que todas as palavras ditas entre nós, são as que ficaram por dizer que acabam por pesar. São elas que contribuem para este meu estado de pseudo-neurose, no qual não distingo a ténue fronteira entre a insana sanidade e a sã demência que parece ir e vir ao longo dos meus dias…

No fundo, são as frases inacabadas, os gestos suspensos, os beijos não dados e os olhares entrecortados que me fazem pensar no porquê de toda esta situação, no porquê de tudo o que é e deixa de ser, mesmo que não sendo, mesmo nunca tendo sido…

E daí à ideia de ilusão, é um pulo. Rapidamente dou comigo a interiorizar que me iludi, que me deixei enredar nas minhas próprias alucinações e nos meus próprios devaneios…

Mas então…e os cheiros? E os beijos? E os abraços? E os olhares, os sorrisos, os toques, os risos, as lágrimas, as aventuras e desventuras? Afinal, aconteceram ou não?

À distância a que me encontro, já pouco ou nada sei. Tenho em mim registos, tenho comigo algumas provas que me parecem irrefutáveis. Mas e daí? De que vale essa irrefutabilidade, essa certeza quase imutável de que, afinal, um dia fui são, estive lúcido e realmente senti o que penso ter sentido, vivi o que penso ter vivido, beijei quem penso ter beijado, abracei quem penso ter abraçado?

Enfim, restam-me esses registos, não é? E que belos registos…às vezes torno-me realizador de cinema das minhas próprias recordações, das minhas próprias lembranças. E então começo a rever tudo, a sequenciar tudo de maneira a ver o filme do que vivi…ou penso ter vivido…

Durante o tempo em que o “filme” roda, na plateia só me encontro eu. Eu e mais ninguém. Não sei se gostaria de estar acompanhado aquando desta maratona de longas ou curtas-metragens que é a minha vida. Talvez até deseje companhia…

Mas não há cachet nem plafond para um tapete vermelho por onde possa passar a estrela principal, não há camarote nem hotel cinco estrelas que possa albergar a companhia desejada, a companhia pretendida…

Porquê? Não sei….Pode parecer ilógico, mas não sei. Mas como há tanta coisa que não sei, esta é apenas mais uma delas. E enquanto isso o filme vai rodando e as cenas vão passando, vão ganhando vida e vão fazendo com que ficção e realidade se misturem mais uma e outra vez…

Muito mais do que as palavras ditas, são as que teimo em calar que hoje me fazem falar, me fazem escrever e me fazem pensar. Por isso mesmo me encontro agora aqui, perante o mundo, pronto a me confessar:

Estou ciente que as lágrimas que ainda não sorri são como os sorrisos que nunca hei-de chorar…e se um dia quiseres saber onde estás então em mim, procura-te nos meus olhos, pois lá encontrarás a beleza do teu sorriso…reflectido no brilho do meu olhar...

Um dia chamaram a isto doce ilusão…que giro…e eu que ainda creio que isto é amar…